Livros essenciais da literatura brasileira

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Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas

Centenas de dicas de todos os gêneros literários, para você e sua família!

Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.

Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.

É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.

Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.

O resultado é um guia amplo, ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor dos livros de ontem e hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais da literatura brasileira, listados em ordem alfabética de autor. Leia e divirta-se!

Adélia Prado: Bagagem; Aluísio Azevedo: O Cortiço; Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos e Noite na Taverna; Antonio Callado: Quarup; Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda; Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino;

Augusto de Campos: Viva Vaia; Augusto dos Anjos: Eu; Autran Dourado: Ópera dos Mortos; Basílio da Gama: O Uraguai; Bernando Élis: O Tronco; Bernando Guimarães: A Escrava Isaura; Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados; Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo e Claro Enigma; Castro Alves: Os Escravos e Espumas Flutuantes; Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência e Mar Absoluto; Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H. e Laços de Família; Cruz e Souza: Broquéis; Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba; Dias Gomes: O Pagador de Promessas; Dyonélio Machado: Os Ratos; Erico Verissimo: O Tempo e o Vento; Euclides da Cunha: Os Sertões Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?; Fernando Sabino: O Encontro Marcado; Ferreira Gullar: Poema Sujo; Gonçalves Dias: I-Juca Pirama; Graça Aranha: Canaã; Graciliano Ramos: Vidas Secas e São Bernardo; Gregório de Matos: Obra Poética; Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas e Sagarana; Haroldo de Campos: Galáxias; Hilda Hilst: A Obscena Senhora D; Ignágio de Loyola Brandão: Zero; João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço; João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina; João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas; João Gilberto Noll: Harmada; João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos; João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro; Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha; Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela, e Terras do Sem Fim; Jorge de Lima: Invenção de Orfeu; José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen; José de Alencar: O Guarani e Lucíola; José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto; José Lins do Rego: Fogo Morto; Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma; Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada; Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé; Luiz Vilela: Tremor de Terra; Lygia Fagundes Telles: As Meninas; Seminário dos Ratos; Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro; Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias; Manuel Bandeira: Libertinagem e Estrela da Manhã; Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre; Mário de Andrade: Macunaíma e Paulicéia Desvairada; Mário Faustino: o Homem e Sua Hora; Mário Quintana: Nova Antologia Poética; Marques Rebelo: A Estrela Sobe; Menotti Del Picchia: Juca Mulato; Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo; Murilo Mendes: As Metamorfoses; Murilo Rubião: O Ex-Mágico; Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva e A Vida Como Ela É; Olavo Bilac: Poesias; Osman Lins: Avalovara; Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande e Memórias Sentimentais de João Miramar; Otto Lara Resende: O Braço Direito; Padre Antônio Vieira: Sermões; Paulo Leminski: Catatau; Pedro Nava: Baú de Ossos; Plínio Marcos: Navalha de Carne; Rachel de Queiroz: O Quinze; Raduan Nassar: Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera; Raul Pompéia: O Ateneu; Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas; Rubem Fonseca: A Coleira do Cão; Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson; Stanislaw Ponte Preta: Febeapá; Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu e Cartas Chilenas; Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética; Visconde de Taunay: Inocência.